Como o BTG chegou a essa conclusão
O ponto de partida é uma apresentação feita pelo CEO da XP, Thiago Maffra, no evento XP Expert, no ano passado. Na ocasião, ele colocou dois caminhos para a companhia: um com juros mais baixos, sem grandes mudanças estruturais; outro com juros altos por mais tempo, que exigiria expansão do crédito corporativo para sustentar a receita.
Com o cenário de juros elevados se prolongando, o BTG avalia que a segunda hipótese virou a mais provável. Para os analistas, "a direção que a empresa está tomando é difícil de ignorar."
Contratações sustentam a tese
As movimentações recentes de executivos reforçam a análise. A XP trocou o diretor financeiro pelo executivo Gustavo Alejo, que passou quase vinte anos no Santander, os últimos três como CFO. A companhia também contratou um profissional do C6 Bank para liderar o segmento de pequenas e médias empresas, um executivo vindo do Itaú Corporate Banking e um novo chefe de banco de investimento.
A maior parte desses nomes reporta a José Berenguer, ex-diretor executivo do JPMorgan no Brasil, que comanda o banco de atacado da XP desde 2020. Além das contratações, a empresa trabalha no lançamento de uma subadquirência própria.

O impacto nos números
O mercado já reflete a mudança de perfil. Na abertura de capital, em 2019, as ações da XP chegavam a negociar acima de 30 vezes o lucro. Hoje esse múltiplo está em torno de 8 vezes o lucro projetado para o ano — patamar equivalente ao de bancos tradicionais.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também recuou: era de 38% antes do IPO e caiu para 24% em 2025. O banco de atacado do Itaú entregou ROE próximo de 29% no mesmo período. Bancos corporativos como o ABC Brasil operam na faixa de 15% a 16%.
O que vem pela frente
A transição tem riscos. Crédito consome mais capital do que corretagem, o que pressiona o ROE, e uma carteira de crédito de qualidade leva anos para amadurecer. O próprio BTG admite que "algum grau de ceticismo dos investidores quanto à execução seria natural."
Há, porém, um efeito colateral positivo: uma carteira de crédito maior dá à XP ativos próprios para lastrear CDBs, LCIs e LCAs, reduzindo a dependência de produtos de terceiros e fortalecendo a plataforma de investimentos.
O BTG mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de US$ 24, ante cotação atual de US$ 16,16. O desfecho, segundo o relatório, depende de três fatores: talento, alinhamento e tempo.
Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento. Fonte: relatório BTG Pactual, jul/2026.
